Como uma investidora foi manipulada e enganada por Cláudio Oliveira, o dono Bitcoin Banco

Como uma investidora foi manipulada e enganada por Cláudio Oliveira, o dono Bitcoin Banco 1

Justiça tira passaporte de Claudio Oliveira, dono do Bitcoin Banco
Cláudio José de Oliveira, fundador do Bitcoin Banco (Foto: Reprodução)

Amanda Sanford Petrasoli, empresária de Santos (SP), partiu de sua cidade rumo a Curitiba no dia 12 de setembro para uma reunião com dono do Grupo Bitcoin Banco (GBB) Cláudio Oliveira. Ele está na mira da polícia e da Justiça por segurar fundos de investidores.

O assunto, no entanto, não foi detalhado pelo agente de Cláudio Oliveira quando entrou em contato, mas como Amanda possui R$ 880 mil na corretora de bitcoin Tem BTC, fruto de um investimento inicial de R$ 50 mil, ela decidiu aceitar o convite.

Com tudo pago por Cláudio, Amanda, que tem 29 anos, embarcou e se encontrou no aeroporto com o colega de um grupo no Telegram, o programador Phelipe Galante, que também está com mais de R$ 150 mil presos no GBB.

O grupo foi criado há cerca de duas semanas após vencer mais um o prazo de pagamento prometido pela empresa. A crise do GBB já se estende por mais de quatro meses.

No Telegram, Amanda começou então uma mobilização para uma possível manifestação contra o GBB.

No entanto, o movimento chamou a atenção de Cláudio, que a convidou para a reunião, quando inclusive se propôs a pagar as passagens. 

Armadilha do Bitcoin Banco

Já em Curitiba, os dois foram recepcionados com fotos, tiradas por uma mulher que depois Amanda veio a descobrir que era a mesma pessoa que a atacava naquele grupo. Amanda não gostou e foi tirar satisfação.

Segundo ela, a mulher é uma pessoa que tem ligação com o Cláudio e que era uma investidora que recebeu uma certa quantia para ficar do lado dele abafando as coisas.

Amanda disse que naquele momento percebeu que se tratava de uma armadilha para a manifestação perder força.

Ela sugeriu o que poderia acontecer: a divulgação de suas imagens no grupo por meio de perfis fakes. No caso, para as pessoas pensarem que eles haviam sido comprados para a acabar com o grupo.

Reunião com Cláudio Oliveira

Amanda contou que antes de entrarem na sala para a reunião eles tiveram seus celulares retidos. O dono do GBB então os recebeu. Ao lado dele, quatro advogados.

Durante a reunião, que segundo Amanda durou cerca de 3 horas, a todo momento Cláudio conduziu palavras de uma forma que eles falassem algo que os incriminasse. Inclusive ele disse: “Me falaram que você queria falar comigo”, contou Amanda por telefone.

“Não, eu não queria falar com você. Você que queria falar comigo, você que me chamou, você que pagou minha passagem”, respondeu a empresária.

Claudio perguntou se eles estariam usando o grupo para se aproveitarem, no que ela respondeu: “Não. Eu tenho dinheiro e você me deve”. 

Ela conta que Cláudio ficou “cozinhando e cozinhando” e, passadas 2 horas e meia de reunião, eles já não aguentavam mais a enrolação. Foi quando ela o questionou sobre o que que realmente ele queria falar — pois eles já não estavam entendo mais nada.

“Você quer que eu apague o grupo pra receber, é isso?” perguntou Amanda. Ele negou, mas perguntou se ela faria aquilo.

Foi quando ela descobriu qual era o jogo de Cláudio e arriscou uma resposta para ver aonde ia dar: “Faria, você vai me pagar?”.

O dono do GBB, contou Amanda, prometeu pagá-los em uma semana se eles assinassem um documento no dia seguinte.

Ao término da reunião, onde nada ficou acertado, Cláudio sugeriu que eles fossem tomar “uma cervejinha” com sua equipe. Amanda sabia que provavelmente era para interagirem mais e tentar levá-los para ao lado dele, mas eles não aceitaram.

Analisando aquela situação, Amanda e Phelipe mudaram de estratégia e resolveram retornar a São Paulo. A equipe de Cláudio disse que não tinha mais voo Curitiba-São Paulo e lhes ofereceu dois quartos em um hotel.

Hotel do medo

“A gente desconfiou que tinha escuta no nosso quarto”, relatou Amanda. Ela percebeu que os quartos ao redor estavam ocupados pela equipe do Cláudio, inclusive pela mulher que tirou as fotos.

De acordo com a empresária, eles estavam cercados de pessoas para com interesses nas informações que possuíam.

A partir daí, eles mudaram a postura: “A gente fingiu pra ele que estava tudo bem, que a gente ia assinar o acordo e que ia dar uma abafada na situação”.

De volta ao hotel, Amanda sentiu medo e não conseguia dormir. Ela pediu para ir ao quarto de Phelipe, mesmo assim o medo tomava conta dos dois.

“O medo era tão grande que a Amanda pediu para dormir no meu quarto e nem assim conseguimos dormir. Fugimos do hotel por volta da meia-noite”, disse Phelipe à reportagem. 

Um dos motivos para deixarem o hotel foi um momento em que eles escutaram um barulho na porta e viram pelo olho mágico pessoas da equipe do Cláudio no corredor.

Retorno à São Paulo

No dia seguinte, em vez de ir a uma nova reunião com o Cláudio eles foram para o aeroporto, anteciparam a passagem e retornaram para São Paulo.

Antes, porém, eles gravaram e publicaram um vídeo no grupo, onde contaram toda a situação.

“O vídeo viralizou e o Cláudio ficou possuído porque a gente deu o primeiro tiro né”, disse Amanda.

Segundo ela, ele ainda tentou cancelar a passagem de volta, só que naquela altura eles já tinham conseguido o embarque.

Amanda ainda disse que o Cláudio publicou um vídeo com um trecho da reunião sem sua autorização e que também vai fazer parte do processo contra ele e a empresa. Phelipe também já procurou advogados.

“Tomamos um golpe”, disse Amanda à reportagem.

Phelipe também desabafou:

“Confesso que não tenho esperanças de receber esse dinheiro. Infelizmente. Não vejo meios pra isso. O golpe foi premeditado”.

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